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07/19/2026 às 12:28 pm #2450
jadirmoreirajunior@gmail.comParticipanteCreio que um dos atendimentos que mais vem a minha mente quando se fala em “sustentar funções”, aconteceu no meu primeiro ano, quando atendi um jovem de 15 anos na época, vindo de uma realidade muito precária e dificil. De um lugar d emuito vício, prostituição e crime generalizado. Esse rapaz demorou algumas sessões para conseguir começar a falar. E quando começou, relatou (aqui resumirei absurdamente os fatos apenas para exemplificar) que seu melhor amigo, pouco mais velho que ele, havia matado o pai dele, que era tranficante, para ficar com a mãe dele, que era uma prostituta. No primeiro momento, como jovem e pouco experiente terapêuta, foi muito dificil sustentar o enquadre, manter a contenção e neutralidade ética.
Posso dizer que nesse caso não houve uma função mais evidente, pois, tive que sustentar com muita dificuldade as três funções que citei. Garantir estabilidade de tempo, espaço, sigilo e regras que estruturam o processo (enquadre); oferecer ambiente psiquico seguro para que conteúdos difíceis possam emergir (contenção); e não impor valores pessoais e preservar os limites e o sigilo da relação (Neutralidade e ética).
Se eu enquanto analista, não conseguisse sustentar essas funções, imediatamente teria colocado todo o processo que nos levou até aquele momento de confiança e abertura, teria se desfeito totalmente. O processo psicanalítico não teria ficado comprometido, teria se perdido totalmente.
O que vejo como sinais de que o enquadre foi realmente sustentado, é o fato de que a sessão continuou, bem como o acompanhamento posterior, progredindo sem maiores problemas.
Pessoalmente precisei ligar para minha supervisora imediatamente após o atendimento. Era meu primeiro semestre atendendo. Foi muito difícil.
07/19/2026 às 12:01 pm #2449
jadirmoreirajunior@gmail.comParticipantePessoalmente, enquanto terapeuta, passei por um processo semelhante ao seu em uma situação muito específica. Tive que “reaprender a escutar” quando atuei um período com descendentes de indígenas. Percebi que a minha falta de conhecimento de sua cultura e vivências específicas, me conduzia a uma busca de sentido ao material que eles traziam, talvez no impulso de conseguir respostas para auxiliar de fato. Mas, isso quebrava a transferência, contra transferência e principlamente a livre associação. Tive que dar uns passos para trás. Repensar. Abrir minha mente para toda uma nova cultura e aos poucos, os resultados de uma “nova escuta” começaram a aparecer.
07/19/2026 às 11:57 am #2447
jadirmoreirajunior@gmail.comParticipante…
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Esta resposta foi modificada 6 dias, 15 horas atrás por
jadirmoreirajunior@gmail.com.
07/19/2026 às 11:51 am #2446
jadirmoreirajunior@gmail.comParticipanteNa minha experiência a persepção da diferença entre ouvir e escutar começou quando procurei ajuda psicanalítica ainda da adolescência. Percebi que todos ao meu redor podiam até me ouvir… paravam para ouvir, comentavam o que ouviam. Mas, ninguém me escutava. E como eu não tinha referência disto, achava que o mesmo acontecveria se eu procurasse um terapeuta. Mas não foi o que aconteceu. Em minha primeira sessão terapêutica, percebi que havia algo diferente na maneira como o psicanalista acolhia, compreendia e buscava compreender de fato o que eu estava dizendo e sentindo. E aquela atenção, aquela escuta ativa, me levou a um estado de segurança, confiança e total desarmamento. E posteriormente compreendi que isso era essencial para o acesso às questões reais do meu inconsciente e do acompanhamento psicanalítico efetivo. Alí não apenas começou meu processo de cura, como também meu amor pela psicanálise.
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