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    CIP
    Participante

    Desafio do Módulo 1 — Fundamentos da Prática Clínica Psicanalítica

    Proposta para esta aula:

    “Qual foi o momento em que você percebeu a diferença entre ouvir e escutar?”
    Retome uma cena da sua trajetória pessoal ou de formação em que essa diferença tenha ficado evidente. Descreva, em até 8 linhas, o que tornou aquele momento uma escuta genuinamente psicanalítica — e o que mudou na sua postura a partir dele.

    Como participar:

    1. Escreva sua reflexão com suas próprias palavras.
    2. Publique no fórum de discussão desta aula.
    3. Comente a resposta de ao menos um colega.

    Vamos começar essa jornada juntos? Compartilhe sua reflexão aqui no fórum — sua experiência pode ser exatamente o que outro colega precisa ler hoje.

    #2335
    Jaquelinebelmonte
    Participante

    No início dos meus atendimentos, ainda no período de estágio, eu tinha uma escuta diferente da que tenho hoje em dia. Precisei desenvolver uma escuta neutra e sem intervenções, pois no início da minha carreira eu escutava o paciente e já queria dar um sentido ao material que ele trazia, perdendo a conexão que a relação terapêutica necessitava. Foi com a prática que eu consegui entender a diferença entre escutar e ouvir.

    #2446

    Na minha experiência a persepção da diferença entre ouvir e escutar começou quando procurei ajuda psicanalítica ainda da adolescência. Percebi que todos ao meu redor podiam até me ouvir… paravam para ouvir, comentavam o que ouviam. Mas, ninguém me escutava. E como eu não tinha referência disto, achava que o mesmo acontecveria se eu procurasse um terapeuta. Mas não foi o que aconteceu. Em minha primeira sessão terapêutica, percebi que havia algo diferente na maneira como o psicanalista acolhia, compreendia e buscava compreender de fato o que eu estava dizendo e sentindo. E aquela atenção, aquela escuta ativa, me levou a um estado de segurança, confiança e total desarmamento. E posteriormente compreendi que isso era essencial para o acesso às questões reais do meu inconsciente e do acompanhamento psicanalítico efetivo. Alí não apenas começou meu processo de cura, como também meu amor pela psicanálise.

    #2447

    #2449

    Pessoalmente, enquanto terapeuta, passei por um processo semelhante ao seu em uma situação muito específica. Tive que “reaprender a escutar” quando atuei um período com descendentes de indígenas. Percebi que a minha falta de conhecimento de sua cultura e vivências específicas, me conduzia a uma busca de sentido ao material que eles traziam, talvez no impulso de conseguir respostas para auxiliar de fato. Mas, isso quebrava a transferência, contra transferência e principlamente a livre associação. Tive que dar uns passos para trás. Repensar. Abrir minha mente para toda uma nova cultura e aos poucos, os resultados de uma “nova escuta” começaram a aparecer.

    #2466

    Atendo como Terapeuta Comportamental Cognitivo. Em meu primeiro atendimento houve o relato do cliente/paciente que se sentia invisível para outros profissionais e pelas pessoas em seu redor por mais que dissesse o que estava sentindo. Era uma pessoa repleta de sintomas psicossomáticos que não involuiam. Já na primeira escuta o cliente relatou sentir-se escutado e saiu mais leve do que entrou. Foi uma escuta bastante emocionada mas que trouxe alívio interior. Foi quando entendi que estava no caminho certo e que a escuta na psicanálise, sem julgamentos, sem intromissão traz enormes benefícios e é de suma importância. Ouvir é captar o que foi dito; escutar é acolher, interpretar e buscar o que aparece nas entrelinhas do discurso, inclusive afetos, repetições e conteúdos inconscientes. Ouvir não implica melhora do estado emocional. Já escutar exige atenção, presença e abertura para o sentido manifesto e latente da fala dizendo implicitamente: _ você é visível e é importante, mas precisa cuidar de seu processo interno.

    #2470

    Que bom que você não desistiu. A partir de sua experiência você encontrou uma forma de ajudar aqueles que se encontram na mesma situação que você esteve e com a vantagem que o amadurecimento temporal do ser te ajudou a ser um excelente profissional, que se importa.

    #2471

    Quando estamos iniciando é assim, neh. Queremos logo resultados e pensamos que o atendido já falou tudo, aí ele vem e traz outra questão que muda relevantemente o campo de visão. Na prática vamos entendendo isso, cada sessão é única e cheia de surpresas.

    #3055
    123456
    Participante

    No passado estava pesquisando uma formação na área da saúde emocional.
    E conversando com amiga que se formou nessa área, Ao ouvir, ela falando sobre o assunto, entendi que a psicanálise é a resposta que eu estava procurando.
    Confesso que estou gostando.

    #3056
    123456
    Participante

    No ano passado estava pesquisando uma formação na área da saúde emocional.
    E conversando com amiga que se formou nessa área, Ao ouvir, ela falando sobre o assunto, entendi que a psicanálise é a resposta que eu estava procurando.
    Confesso que estou gostando.
    agora entendo que tem diferença entre ouvir e escutar.

    #3188
    Kezia
    Participante

    Foi na faculdade de Psicologia que eu descobri que eu não escutava, somente ouvia. Durante uma discussão sobre escuta, percebi que eu não era essa pessoa que se colocava a disposição para escutar, prestando atenção no que as pessoas queriam dizer, sem julgamentos. E essa escuta, atenta aos detalhes que escapam, é super necessária na clínica Psicanalítica. Na Psicanálise, o analista ocupa um lugar de detentor do conhecimento para o analisando, mas ele não deve colocar as suas ideias na clínica, pois a análise não é do analista, é do analisando. De toda forma, a clínica como um todo requer empatia e também vontade ao escutar.

    #3189
    Kezia
    Participante

    Exatamente! Por isso que não se deve ter pressa ao escutar. No momento que somos impacientes com o paciente, fechamos nossa mente pensando que ele já falou tudo que era importante e podemos até mesmo faltar com empatia e escutar com julgamentos. Nós nunca vamos ter todo o conhecimento.

    #3203
    Miguel
    Participante

    Foi observando uma pessoa próxima onde eu falava e não me sentia ouvido, pensei comigo, será que também sou assim? E passei a me auto observar, e me “peguei” cometendo os mesmos erros que eu via no outro, desta forma, passei a trabalhar isso em mim, claro que é uma estrada, mas me sinto grato por estar caminhando.

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