Respostas no Fórum

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  • #3045
    Roberto de Carvalho
    Participante

    Diante de um paciente que fala sem parar e pula de assunto em assunto, a técnica mais necessária é a pontuação. Essa enxurrada de palavras funciona como uma defesa para evitar o toque na angústia e impedir a escuta; portanto, a intervenção do analista precisa introduzir um corte que interrompa essa derrapagem contínua.
    Para a pontuação, deve-se escolher não o conteúdo das histórias, mas um significante específico, ato falho ou metáfora repetida que tenha escapado entre um tema e outro com carga afetiva. Pontua-se no exato ponto de fratura onde a defesa do Ego vacilou e o inconsciente emergiu, obrigando o paciente a deter-se sobre o seu próprio dizer.
    A diferença entre acolher tecnicamente e apenas deixar o paciente falar sem direção reside na presença ativa do analista. Enquanto a passividade mantém o sujeito em uma tagarelice catártica que tampona o mal-estar, o acolhimento técnico oferece um limite estruturante. O analista acolhe a angústia por trás do excesso de fala, mas intervém pontualmente para dar contorno, direção e implicar o sujeito naquilo que ele tenta esquivar.

    #2739
    Roberto de Carvalho
    Participante

    Na clínica psicanalítica, o atendimento a um paciente trazido por terceiros exige começar a escuta pela construção da demanda, e não pela simples coleta de dados ou sintomas. Como a queixa vem do desejo da esposa, o primeiro passo é investigar o pequeno espaço em que o sujeito concordou em estar ali, ajudando-o a deslocar uma “demanda emprestada” para a construção do seu próprio desejo de análise.Perguntar como “A esposa insistiu, mas o que fez você concordar em vir?” ajudariam a deslocar o foco do outro para a posição do próprio sujeito frente ao seu mal-estar.
    A esquiva do olhar, as respostas curtas e as pausas prolongadas não representam mera falta de assunto, mas sim a manifestação da resistência e das defesas do sujeito. Antes de qualquer interpretação do conteúdo, essa postura sinaliza a dificuldade de endereçar a fala a um desconhecido e o receio de invasão ou julgamento.
    Diante disso, a condução do silêncio não deve ser feita pela pressa de preencher o vazio com um interrogatório anamnésico, o que apenas reforçaria as defesas. O analista deve sustentar uma presença receptiva e acolhedora, respeitando o tempo do paciente. O manejo desse silêncio se dá por meio do acolhimento da postura do sujeito e de intervenções pontuais que validem a própria dificuldade de estar ali, usando pontuações discretas em vez de interrogações diretas, como pontuar a última palavra dita ou um simples “estou te escutando”, oferecendo um espaço seguro para que o não dito comece a ganhar contornos de palavra.

    #2740
    Roberto de Carvalho
    Participante

    Na clínica psicanalítica, o atendimento a um paciente trazido por terceiros exige começar a escuta pela construção da demanda, e não pela simples coleta de dados ou sintomas. Como a queixa vem do desejo da esposa, o primeiro passo é investigar o pequeno espaço em que o sujeito concordou em estar ali, ajudando-o a deslocar uma “demanda emprestada” para a construção do seu próprio desejo de análise.Perguntar como “A esposa insistiu, mas o que fez você concordar em vir?” ajudariam a deslocar o foco do outro para a posição do próprio sujeito frente ao seu mal-estar.
    A esquiva do olhar, as respostas curtas e as pausas prolongadas não representam mera falta de assunto, mas sim a manifestação da resistência e das defesas do sujeito. Antes de qualquer interpretação do conteúdo, essa postura sinaliza a dificuldade de endereçar a fala a um desconhecido e o receio de invasão ou julgamento.
    Diante disso, a condução do silêncio não deve ser feita pela pressa de preencher o vazio com um interrogatório anamnésico, o que apenas reforçaria as defesas. O analista deve sustentar uma presença receptiva e acolhedora, respeitando o tempo do paciente. O manejo desse silêncio se dá por meio do acolhimento da postura do sujeito e de intervenções pontuais que validem a própria dificuldade de estar ali, usando pontuações discretas em vez de interrogações diretas, como pontuar a última palavra dita ou um simples “estou te escutando”, oferecendo um espaço seguro para que o não dito comece a ganhar contornos de palavra.

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