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  • #1738
    CIP
    Participante

    Neste primeiro desafio, somos convidados a refletir sobre um dos momentos mais importantes da prática clínica: a entrevista inicial. Diante de um paciente que afirma não saber por que está ali, evita o contato visual e responde de forma breve, o desafio do terapeuta não é apenas ouvir o que é dito, mas também acolher aquilo que se apresenta nos silêncios, nas pausas e na forma como o sujeito se posiciona diante do encontro clínico.

    A escuta clínica exige atenção à demanda manifesta e, principalmente, aos elementos que podem indicar uma demanda ainda não formulada. As frases curtas, a resistência ao diálogo e os longos silêncios não devem ser vistos como obstáculos, mas como material valioso para a compreensão da experiência subjetiva do paciente.

    Para discussão:

    Por onde você iniciaria sua escuta nesse primeiro encontro?

    O que o comportamento e os silêncios do paciente comunicam para você?

    Como conduzir uma entrevista inicial preservando o acolhimento e respeitando o tempo subjetivo do paciente?

    Compartilhe sua reflexão e sua estratégia de condução clínica. Sua contribuição enriquecerá o aprendizado coletivo e permitirá diferentes olhares sobre a prática da escuta terapêutica.

    • Este tópico foi modificado 1 semana, 3 dias atrás por CIP.
    #2050
    Jaquelinebelmonte
    Participante

    Eu começaria perguntando por que a esposa estaria sugerindo que ele procurasse atendimento. Essa pergunta ajuda a abrir a conversa, pois o silêncio e o comportamento evitativo pode estar associado a uma não abertura, um “não quero falar sobre isso”, ou apenas estar sinalizando um “não sei o que falar”.
    O mais importante é compreender que cada paciente tem seu tempo, escutando sem julgamentos, tendo uma escuta acolhedora. É importante respeitar o tempo lógico de cada paciente, conduzindo a primeira entrevista da forma mais natural possível.

    #2738
    suelysaberes
    Participante

    Eu iniciaria a entrevista pela acolhida, pois acredito que essa atitude precisa vir primeiro. Antes de qualquer pergunta, é importante que o paciente sinta que está em um lugar seguro, onde será ouvido sem julgamentos e onde há alguém disposto a ajudá-lo.
    Diante da frase “nem sei o que estou fazendo aqui”, eu diria que falar sobre o que sentimos muitas vezes é difícil, e que isso é perfeitamente compreensível. Explicaria que ele só precisa falar quando se sentir à vontade e que seu tempo será respeitado.
    Se, naquele momento, ele decidir permanecer em silêncio, eu também respeitaria essa escolha, entendendo que o silêncio pode ser uma forma de expressão e que faz parte do processo terapêutico. Meu papel seria permanecer disponível para escutá-lo, sem pressioná-lo, permitindo que o vínculo de confiança fosse construído no tempo dele

    #2739
    Roberto de Carvalho
    Participante

    Na clínica psicanalítica, o atendimento a um paciente trazido por terceiros exige começar a escuta pela construção da demanda, e não pela simples coleta de dados ou sintomas. Como a queixa vem do desejo da esposa, o primeiro passo é investigar o pequeno espaço em que o sujeito concordou em estar ali, ajudando-o a deslocar uma “demanda emprestada” para a construção do seu próprio desejo de análise.Perguntar como “A esposa insistiu, mas o que fez você concordar em vir?” ajudariam a deslocar o foco do outro para a posição do próprio sujeito frente ao seu mal-estar.
    A esquiva do olhar, as respostas curtas e as pausas prolongadas não representam mera falta de assunto, mas sim a manifestação da resistência e das defesas do sujeito. Antes de qualquer interpretação do conteúdo, essa postura sinaliza a dificuldade de endereçar a fala a um desconhecido e o receio de invasão ou julgamento.
    Diante disso, a condução do silêncio não deve ser feita pela pressa de preencher o vazio com um interrogatório anamnésico, o que apenas reforçaria as defesas. O analista deve sustentar uma presença receptiva e acolhedora, respeitando o tempo do paciente. O manejo desse silêncio se dá por meio do acolhimento da postura do sujeito e de intervenções pontuais que validem a própria dificuldade de estar ali, usando pontuações discretas em vez de interrogações diretas, como pontuar a última palavra dita ou um simples “estou te escutando”, oferecendo um espaço seguro para que o não dito comece a ganhar contornos de palavra.

    #2740
    Roberto de Carvalho
    Participante

    Na clínica psicanalítica, o atendimento a um paciente trazido por terceiros exige começar a escuta pela construção da demanda, e não pela simples coleta de dados ou sintomas. Como a queixa vem do desejo da esposa, o primeiro passo é investigar o pequeno espaço em que o sujeito concordou em estar ali, ajudando-o a deslocar uma “demanda emprestada” para a construção do seu próprio desejo de análise.Perguntar como “A esposa insistiu, mas o que fez você concordar em vir?” ajudariam a deslocar o foco do outro para a posição do próprio sujeito frente ao seu mal-estar.
    A esquiva do olhar, as respostas curtas e as pausas prolongadas não representam mera falta de assunto, mas sim a manifestação da resistência e das defesas do sujeito. Antes de qualquer interpretação do conteúdo, essa postura sinaliza a dificuldade de endereçar a fala a um desconhecido e o receio de invasão ou julgamento.
    Diante disso, a condução do silêncio não deve ser feita pela pressa de preencher o vazio com um interrogatório anamnésico, o que apenas reforçaria as defesas. O analista deve sustentar uma presença receptiva e acolhedora, respeitando o tempo do paciente. O manejo desse silêncio se dá por meio do acolhimento da postura do sujeito e de intervenções pontuais que validem a própria dificuldade de estar ali, usando pontuações discretas em vez de interrogações diretas, como pontuar a última palavra dita ou um simples “estou te escutando”, oferecendo um espaço seguro para que o não dito comece a ganhar contornos de palavra.

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