Diante do relato do paciente, o sigilo profissional de Beatriz não pode ser mantido de forma integral, pois a confidencialidade encontra um limite ético e legal claro diante de riscos iminentes à integridade física ou à vida de terceiros, o que fica evidente quando o paciente admite a agressão e afirma que ela pode ocorrer novamente. Antes de tomar qualquer decisão drástica ou realizar uma quebra de sigilo por justa causa, Beatriz deve buscar supervisão clínica com um profissional experiente, avaliar de forma aprofundada a iminência e a gravidade do perigo real e consultar o código de ética profissional e o respaldo jurídico para a situação. Além disso, ela deve buscar a autoresponsabilização do paciente para que ele mesmo interrompa o ciclo de violência. Para comunicar esses limites sem romper a aliança terapêutica, Beatriz precisa adotar uma postura estritamente acolhedora e não-julgadora, explicando de forma transparente que a limitação do sigilo serve para proteger a integridade de todos os envolvidos, inclusive impedindo o próprio paciente de sofrer consequências legais irreparáveis, reafirmando que o espaço da terapia continua seguro e disponível para tratar os impulsos e conflitos, desde que estes não se transformem em agressão física.