Na clínica psicanalítica, o atendimento a um paciente trazido por terceiros exige começar a escuta pela construção da demanda, e não pela simples coleta de dados ou sintomas. Como a queixa vem do desejo da esposa, o primeiro passo é investigar o pequeno espaço em que o sujeito concordou em estar ali, ajudando-o a deslocar uma “demanda emprestada” para a construção do seu próprio desejo de análise.Perguntar como “A esposa insistiu, mas o que fez você concordar em vir?” ajudariam a deslocar o foco do outro para a posição do próprio sujeito frente ao seu mal-estar.
A esquiva do olhar, as respostas curtas e as pausas prolongadas não representam mera falta de assunto, mas sim a manifestação da resistência e das defesas do sujeito. Antes de qualquer interpretação do conteúdo, essa postura sinaliza a dificuldade de endereçar a fala a um desconhecido e o receio de invasão ou julgamento.
Diante disso, a condução do silêncio não deve ser feita pela pressa de preencher o vazio com um interrogatório anamnésico, o que apenas reforçaria as defesas. O analista deve sustentar uma presença receptiva e acolhedora, respeitando o tempo do paciente. O manejo desse silêncio se dá por meio do acolhimento da postura do sujeito e de intervenções pontuais que validem a própria dificuldade de estar ali, usando pontuações discretas em vez de interrogações diretas, como pontuar a última palavra dita ou um simples “estou te escutando”, oferecendo um espaço seguro para que o não dito comece a ganhar contornos de palavra.
