Na minha experiência a persepção da diferença entre ouvir e escutar começou quando procurei ajuda psicanalítica ainda da adolescência. Percebi que todos ao meu redor podiam até me ouvir… paravam para ouvir, comentavam o que ouviam. Mas, ninguém me escutava. E como eu não tinha referência disto, achava que o mesmo acontecveria se eu procurasse um terapeuta. Mas não foi o que aconteceu. Em minha primeira sessão terapêutica, percebi que havia algo diferente na maneira como o psicanalista acolhia, compreendia e buscava compreender de fato o que eu estava dizendo e sentindo. E aquela atenção, aquela escuta ativa, me levou a um estado de segurança, confiança e total desarmamento. E posteriormente compreendi que isso era essencial para o acesso às questões reais do meu inconsciente e do acompanhamento psicanalítico efetivo. Alí não apenas começou meu processo de cura, como também meu amor pela psicanálise.
