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Maria Betania de Carvalho Faria.
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07/15/2026 às 10:40 am #1761
CIP
ParticipanteDesafio do Módulo 4 — Construção do Setting Terapêutico
Situação: Marcos, psicanalista iniciante
Uma paciente, em atendimento há dois meses, passa a pedir remarcações com frequência, quase sempre na véspera, alegando imprevistos de trabalho. Nas duas últimas vezes, também perguntou se poderia “só mandar uma mensagem” em vez de vir à sessão.
Sugestões para análise:
1. O que esses pedidos podem estar comunicando sobre a relação da paciente com o enquadre?
2. Como Marcos pode sustentar o setting sem se tornar rígido ou punitivo?
3. Em que ponto uma flexibilização pontual deixa de ser cuidado e passa a comprometer o processo?O enquadre é um dos maiores desafios da clínica iniciante. Compartilhe sua leitura aqui no fórum e vamos pensar juntos em como Marcos pode conduzir essa situação.
07/25/2026 às 3:44 pm #3049Maria Betania de Carvalho Faria
ParticipanteOs pedidos recorrentes de remarcação, sobretudo na véspera, podem muitas vezes apontar para resistência, teste de limites, ambivalência em relação ao vínculo ou dificuldade de sustentar a regularidade do trabalho analítico. “Só mandar uma mensagem” também pode indicar uma tentativa de deslocar a sessão para um formato de menor exposição, preservando contato sem entrar no enquadre, o que é clinicamente significativo.
1.Tais atitudes podem sugerir que a paciente ainda não reconhece o setting como um terceiro elemento estruturante, isto é, algo que não pertence nem só a ela nem só ao analista, mas ao próprio método. Também podem expressar uma forma de colocar à prova se o analista cede, se abandona a posição ou se responde às demandas de modo personalizado, o que pode chegar a transferência.
2.A sustentação do enquadre tende a funcionar melhor quando é firme, mas não moralizante: o analista pode reafirmar a regra com calma, sem transformar a recusa em punição ou disputa de poder. Em vez de aceitar a mensagem como substituto da sessão, é útil expôr que o modo de contato é um dado clínico e que esse tipo de mudança precisa ser pensado dentro do processo. O tom da fala importa muito.
3.Uma flexibilização pontual pode ser cuidadosa quando nesses casos, a exceção é tratada como exceção, com enquadramento claro sobre o que mudou e por quê. Isso pode preservar o vínculo em situações agudas sem romper a confiabilidade do processo clínico. A flexibilização passa a comprometer o processo quando deixa de ser exceção e se torna regra implícita, principalmente se a paciente aprende que a sessão pode ser substituída por contato remoto, aviso de última hora ou negociação contínua. Nessa situação, o enquadre perde sua função estruturante e o analista corre o risco de entrar numa posição que enfraquece a possibilidade de interpretar a resistência e a transferência. Quando a exceção passa a organizar o tratamento, ela já está alterando o tratamento.
Uma intervenção clínica possível seria algo como: “ – Tenho notado que os pedidos de remarcação e a proposta de trocar a sessão por mensagem têm aparecido com mais frequência. Acho importante pensarmos juntos o que está ficando difícil de sustentar aqui.” Essa formulação preserva o setting, não acusa a paciente e transforma a problemática em material analítico. -
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