Diante de um paciente que fala sem parar e pula de assunto em assunto, a técnica mais necessária é a pontuação. Essa enxurrada de palavras funciona como uma defesa para evitar o toque na angústia e impedir a escuta; portanto, a intervenção do analista precisa introduzir um corte que interrompa essa derrapagem contínua.
Para a pontuação, deve-se escolher não o conteúdo das histórias, mas um significante específico, ato falho ou metáfora repetida que tenha escapado entre um tema e outro com carga afetiva. Pontua-se no exato ponto de fratura onde a defesa do Ego vacilou e o inconsciente emergiu, obrigando o paciente a deter-se sobre o seu próprio dizer.
A diferença entre acolher tecnicamente e apenas deixar o paciente falar sem direção reside na presença ativa do analista. Enquanto a passividade mantém o sujeito em uma tagarelice catártica que tampona o mal-estar, o acolhimento técnico oferece um limite estruturante. O analista acolhe a angústia por trás do excesso de fala, mas intervém pontualmente para dar contorno, direção e implicar o sujeito naquilo que ele tenta esquivar.
