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Quando nos vemos diante de um paciente com uma carga grande de problemas que desalinharam sua vida, acabamos lidando com processos de atendimento que acumulam varia funções. Faço o atendimento de uma paciente de 47 anos que sofre com problemas psicossomáticos, todas as sessões ela me traz algo diferente. Percebo nela uma resistência de chegar no ponto crucial da amenização do emocional dela, fala sem deixar espaço para reflexões. Ela sempre narra algo de terrível que aconteceu na vida dela mas não consegue ainda falar sobre. A função da escuta transcorre sem problemas, o setting perfeito, regras de comunicação em dia, no entanto manter a neutralidade traz, para nós terapeutas uma constante autorreflexão e sensibilidade para não entrar abruptamente no interior do paciente. Manter uma postura neutra enquanto o tempo passa e você sabe que ali pode estar a chave que vai virar a vida do paciente. A neutralidade requer estar atento às dinâmicas emocionais que emergem na relação analítica, é importante permitir esse espaço de confiança e exploração profunda da psique do paciente. Um dos maiores desafios que encontrei nesse atendimento é a neutralidade, um dos pilares que sustentam a eficácia do tratamento psicanalítico. Caso eu agisse diferente a paciente poderia sentir-se violada em seu respeito e a confiança firmada desapareceria e perderíamos todo o progresso adquirido até agora e eu o atendimento. Mas devagar vou chegar lá e fazê-la se livrar deste peso que a incomoda, apesar de estarmos com grandes avanços no tratamento, que continua com os laços de respeito e confiança, regras de comunicação e tempo, transferência e contratransferência sempre respeitados.
Quanto a analista que vos escreve, sempre faço um preparo antes e depois de cada atendimento para me manter inteira.

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