#2450

Creio que um dos atendimentos que mais vem a minha mente quando se fala em “sustentar funções”, aconteceu no meu primeiro ano, quando atendi um jovem de 15 anos na época, vindo de uma realidade muito precária e dificil. De um lugar d emuito vício, prostituição e crime generalizado. Esse rapaz demorou algumas sessões para conseguir começar a falar. E quando começou, relatou (aqui resumirei absurdamente os fatos apenas para exemplificar) que seu melhor amigo, pouco mais velho que ele, havia matado o pai dele, que era tranficante, para ficar com a mãe dele, que era uma prostituta. No primeiro momento, como jovem e pouco experiente terapêuta, foi muito dificil sustentar o enquadre, manter a contenção e neutralidade ética.

Posso dizer que nesse caso não houve uma função mais evidente, pois, tive que sustentar com muita dificuldade as três funções que citei. Garantir estabilidade de tempo, espaço, sigilo e regras que estruturam o processo (enquadre); oferecer ambiente psiquico seguro para que conteúdos difíceis possam emergir (contenção); e não impor valores pessoais e preservar os limites e o sigilo da relação (Neutralidade e ética).

Se eu enquanto analista, não conseguisse sustentar essas funções, imediatamente teria colocado todo o processo que nos levou até aquele momento de confiança e abertura, teria se desfeito totalmente. O processo psicanalítico não teria ficado comprometido, teria se perdido totalmente.

O que vejo como sinais de que o enquadre foi realmente sustentado, é o fato de que a sessão continuou, bem como o acompanhamento posterior, progredindo sem maiores problemas.

Pessoalmente precisei ligar para minha supervisora imediatamente após o atendimento. Era meu primeiro semestre atendendo. Foi muito difícil.

error: Content is protected !!

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.