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Maria Betania de Carvalho Faria.
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07/15/2026 às 10:34 am #1757
CIP
ParticipanteDesafio do Módulo 2 — O Papel do Psicanalista no Processo Terapêutico
Proposta para esta aula:
Lembre-se de um momento — sessão, supervisão ou atendimento observado — em que o psicanalista precisou sustentar uma função difícil de exercer.
Descreva a situação em poucas linhas: o que o paciente trazia, o que o analista fez — ou deixou de fazer — e qual função estava em jogo: escuta, enquadre, transferência, contenção, interpretação ou neutralidade.Sugestões para análise:
1. Qual das seis funções do psicanalista está mais evidente nessa cena?
2. O que aconteceria se o analista tivesse agido de forma oposta?
3. Que sinais indicam que o enquadre estava sendo sustentado — ou ameaçado?Vamos aprofundar juntos essa reflexão? Compartilhe sua cena aqui no fórum e ajude a turma a enxergar essas funções em ação.
07/19/2026 às 12:28 pm #2450
jadirmoreirajunior@gmail.comParticipanteCreio que um dos atendimentos que mais vem a minha mente quando se fala em “sustentar funções”, aconteceu no meu primeiro ano, quando atendi um jovem de 15 anos na época, vindo de uma realidade muito precária e dificil. De um lugar d emuito vício, prostituição e crime generalizado. Esse rapaz demorou algumas sessões para conseguir começar a falar. E quando começou, relatou (aqui resumirei absurdamente os fatos apenas para exemplificar) que seu melhor amigo, pouco mais velho que ele, havia matado o pai dele, que era tranficante, para ficar com a mãe dele, que era uma prostituta. No primeiro momento, como jovem e pouco experiente terapêuta, foi muito dificil sustentar o enquadre, manter a contenção e neutralidade ética.
Posso dizer que nesse caso não houve uma função mais evidente, pois, tive que sustentar com muita dificuldade as três funções que citei. Garantir estabilidade de tempo, espaço, sigilo e regras que estruturam o processo (enquadre); oferecer ambiente psiquico seguro para que conteúdos difíceis possam emergir (contenção); e não impor valores pessoais e preservar os limites e o sigilo da relação (Neutralidade e ética).
Se eu enquanto analista, não conseguisse sustentar essas funções, imediatamente teria colocado todo o processo que nos levou até aquele momento de confiança e abertura, teria se desfeito totalmente. O processo psicanalítico não teria ficado comprometido, teria se perdido totalmente.
O que vejo como sinais de que o enquadre foi realmente sustentado, é o fato de que a sessão continuou, bem como o acompanhamento posterior, progredindo sem maiores problemas.
Pessoalmente precisei ligar para minha supervisora imediatamente após o atendimento. Era meu primeiro semestre atendendo. Foi muito difícil.
07/21/2026 às 3:02 pm #2864Maria Betania de Carvalho Faria
ParticipanteQuando nos vemos diante de um paciente com uma carga grande de problemas que desalinharam sua vida, acabamos lidando com processos de atendimento que acumulam varia funções. Faço o atendimento de uma paciente de 47 anos que sofre com problemas psicossomáticos, todas as sessões ela me traz algo diferente. Percebo nela uma resistência de chegar no ponto crucial da amenização do emocional dela, fala sem deixar espaço para reflexões. Ela sempre narra algo de terrível que aconteceu na vida dela mas não consegue ainda falar sobre. A função da escuta transcorre sem problemas, o setting perfeito, regras de comunicação em dia, no entanto manter a neutralidade traz, para nós terapeutas uma constante autorreflexão e sensibilidade para não entrar abruptamente no interior do paciente. Manter uma postura neutra enquanto o tempo passa e você sabe que ali pode estar a chave que vai virar a vida do paciente. A neutralidade requer estar atento às dinâmicas emocionais que emergem na relação analítica, é importante permitir esse espaço de confiança e exploração profunda da psique do paciente. Um dos maiores desafios que encontrei nesse atendimento é a neutralidade, um dos pilares que sustentam a eficácia do tratamento psicanalítico. Caso eu agisse diferente a paciente poderia sentir-se violada em seu respeito e a confiança firmada desapareceria e perderíamos todo o progresso adquirido até agora e eu o atendimento. Mas devagar vou chegar lá e fazê-la se livrar deste peso que a incomoda, apesar de estarmos com grandes avanços no tratamento, que continua com os laços de respeito e confiança, regras de comunicação e tempo, transferência e contratransferência sempre respeitados.
Quanto a analista que vos escreve, sempre faço um preparo antes e depois de cada atendimento para me manter inteira. -
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